Feliz aniversário Seu Briquet!

Hoje é aniversário de alguém muito especial: Seu Briquet, pai dos meus ídolos do Capital Inicial, Flávio Lemos e Fê Lemos. Por isso presto aqui uma homenagem e relato o dia em que consegui entrevistar o grande protagonista do filme Rock Brasília. Dizem que o melhor do jornalismo é entrevistar pessoas que você admira. Pessoas que você sempre sonhou em entrevistar, outras que nunca imaginou que pudesse conhecer. Aconteceu comigo e eu ainda nem sou jornalista. Tenho certeza de que essa é a melhor entrevista que eu já fiz e continuará sendo uma das melhores até o final da minha carreira. O problema de entrevistar as pessoas que você tanto admira é que na hora da entrevista você não pode tietar, ficar ali como se fosse um fã desesperado, que sempre sonhou com aquele momento. Eu tentei o máximo possível ser profissional. Acho que me dei bem. Para dizer a verdade, eu nunca tremi tanto na minha vida. Achei que ia ter um ataque epilético! Mas vamos ao começo.

Depois do último show do Capital Inicial em Brasília, começou a passar pela minha mente a ideia de entrevistar o Seu Briquet. Eu não tinha muita informação sobre ele. Sabia que era pai dos meus ídolos e que tinha uma livraria em Brasília. Foi o suficiente para conseguir ir atrás dele. Consegui o e-mail dele e mandei o pedido de entrevista, sem esperanças de que fosse respondido. Para minha alegria, rapidamente tive a resposta. “Recebi, honrado, seu pedido para a entrevista. Estou à sua disposição”. Tremi só de ler. Certa parte do meu sonho seria realizado. O meu sonho mesmo é conhecer o Capital Inicial e depois ter a oportunidade de entrevistá-los. Então entrevistar o pai de dois dos integrantes da banda seria o começo do meu sonho. No dia da reunião de pauta na faculdade, eu fiz de tudo para que a professora aprovasse minha sugestão. De qualquer forma, se ela não aceitasse, eu iria entrevistar o Seu Briquet de qualquer jeito. A professor alertou: “mas não vai dar uma de tiete, viu?” Mal sabia ela que eu tinha terminado meu presente para todos os integrantes e a entrevista seria uma oportunidade de entregar o presente, mesmo que indiretamente, para eles. Seja profissional!

Os dias simplesmente não passaram, cada segundo parecia uma eternidade. Sugeri a pauta na terça-feira, acho que a entrevista era na sexta-feira. Comentei com minha amiga Giane e ela disse que iria comigo. Ela sabia o tanto que eu estava nervosa e se eu fosse desmaiar, ou qualquer coisa assim, ela estaria lá pra me salvar. Demorou, mas o dia chegou. Fui toda arrumada, bonita. Coloquei um vestido preto, salto alto e brincos. Afinal, eu teria que causar boa impressão no meu entrevistado. Levei também o meu presente, nada discreto. Comprei uma caixa e coloquei 7 CDs (um pra cada integrante e outro dizendo como começou minha história com o Capital) dentro de uma sacola enorme. Coloquei a camisa, que o Dinho não me deixou jogar no último show, e também uma poesia que minha mãe fez (claro que minha mãe entrou nessa, mas eu juro que apesar dela me criticar por amar o Capital, ela escreveu a poesia por livre e espontânea vontade).

A livraria fica perto do meu antigo trabalho. Perto não. Muito perto, mas muito perto mesmo. Logo chegamos lá. O local é pequeno, mas com dois andares. Me apresentei para a mulher do balcão. Ficamos olhando alguns livros expostos até a mulher dizer que podíamos subir. Nem sei explicar meus sentimentos, mas acho que meu coração já tinha saído pela boca há muito tempo. Minha perna tremia tanto, que eu achei que iria ter um ataque epilético. Subimos e nos apresentamos. O Seu Briquet me recebeu muito bem, me cumprimentou, apresentei a minha amiga. Nos sentamos. Expliquei sobre a entrevista. Não disse que era fã do Capital, deixei o presente no canto, disse que tinha que escolher alguém com uma história de vida interessante para entrevistar e escolhi ele. Comecei a entrevista. Continuava nervosa, mas me sentia preparada. Afinal já sabia um pouco da vida dele. O pai dos meus ídolos nasceu no Piauí, cresceu no Rio de Janeiro, e depois, com os filhos nascidos, se mudou para Brasília na época da ditadura militar. Não é porque eu o admiro, mas ele tem mesmo uma história de vida muito interessante.

Perguntei primeiro como começou a relação dele com a leitura. Ele respondeu: “na escola né?”. Dã, que óbvio. Como é que eu fiz uma pergunta dessa? Eu não sabia se ele respondeu sério ou estava brincando. Aí eu fiquei mais nervosa ainda. Sorte que a minha bolsa estava em cima da minha perna direita, que não parava de tremer. Ele contou que a primeira vez que entrou em uma biblioteca foi com 15 anos.

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Perguntei como surgiu a livraria. Ele foi contando toda a história e eu tremendo. Tinha certeza de que continuaria tremendo até o final da entrevista. Por isso, desencanei da tremedeira e tentei mostrar calma. Perguntei também sobre a relação dos brasileiros com a leitura, pois diversas pesquisas mostram que nosso país está lendo cada vez menos. Seu Briquet criticou essas pesquisas e ele disse algo que achei muito interessante. Ele citou a frase de Monteiro Lobato (“um país se faz com homens e livros”). Seu Briquet questionou: “com que homens e com que livros? As pessoas não sabem que o Monteiro Lobato escreveu essa frase em um livro chamado América, onde ele relatava a viagem que fez aos Estados Unidos na década de 20 ou 30. Ele estava se referindo aos EUA em particular”.

Após ele mencionar os filhos algumas vezes, eu perguntei sobre eles. Todas as vezes que o Seu Briquet falava o nome dos filhos, eu ficava mais nervosa.  Além do Flávio e do Fê, ele tem a Helena, que é mestranda em biblioteconomia. Primeiro, o Seu Briquet disse que nunca deu palpite sobre a carreira dos filhos. Perguntei como começou a relação do Flávio e do Fê com a música. Ele respondeu: “Isso você vai ter que perguntar pra eles” (ele dizia algumas coisas assim durante a entrevista e eu nunca sabia se ele brincava ou falava sério. Só no final da entrevista, eu percebi que esse era o jeito dele). Depois da brincadeira, ele respondeu. Perguntei se eles apoiaram os filhos no começo da carreira. “Sim, a gente achava que não tinha motivo algum pra você ficar criando caso”. Perguntei também como ele lidava com a popularidade do Flávio e do Fê. “O fato de eles estarem até hoje tocando faz parte da profissão deles. A popularidade vem como consequência, o fato é de que eles têm o seu ganha-pão, tem a sua vida. Pra nós não tem nenhum problema. Faz parte do jogo”.

Cheguei a última pergunta (ufa!). Eu estava adorando e no fundo não queria que terminasse a entrevista, mas estava prestes a ter um ataque epilético. Não tinha ideia de como encerrar a entrevista, qual seria a última pergunta. Como não arranjei melhor, fiz essa:  “Se o senhor pudesse voltar no tempo e pudesse fazer uma coisa diferente, o senhor mudaria alguma coisa?” Ele disse que era uma pergunta difícil de responder e também que hoje não mudaria nada porque sabe que deu certo. Gostei da resposta e ele meu um conselho: não fazer essa pergunta para nenhum entrevistado porque depende do momento que a pessoa está vivendo. Eu amei esse conselho dele. O Seu Briquet tem razão.

Foi aí que acabou a entrevista. Eu agradeci ele. Minha amiga sugeriu que ele tirasse algumas fotos com a gente. Eu nunca iria ter coragem de sugerir isso. Não sabia o que fazer com o presente. Pensei em voltar com a sacola pra casa. Eu queria ser profissional. Aí acho que minha amiga percebeu que fiquei sem graça de entregar o presente. Ela disse pro Seu Briquet que eu sou muito fã do Capital. Tomei coragem, afinal depois da entrevista, que durou quase uma hora, entregar o presente não seria tão difícil assim. Peguei a sacola e perguntei se ele poderia entregar o presente para os filhos. Ele falou: “não, não vou entregar não”. Mesmo após terminar a entrevista, eu ainda não sabia se ele estava falando sério ou brincando. Meu coração gelou. Minha perna parou de tremer. Aí eu levei na brincadeira e disse: “Não? Mas se o senhor não entregar eu vou começar a chorar aqui”. Ele: “Não vou entregar pra eles não, vai ficar pra mim”. Ufa! Que alívio! Era só uma brincadeira!

Eu disse que era um presente pra todos eles. Um pra cada um. Ele disse que com certeza entregaria, mas não sabia quando. O Seu Briquet viajaria para São Paulo no começo de junho. Entrevista feita e presente entregue. Confesso que eu queria mesmo era ir ao camarim do Capital e entregar pra eles, mas ainda não tive essa chance de realizar meu sonho. Agradeci mais uma vez e fomos embora. Fiquei de voltar para comprar o livro do Fê. Espero que o Seu Briquet tenha gostado de mim. Afinal ele é a melhor pessoa (olha a parcialidade da jornalista) que eu já entrevistei.

Em tempo: Dois meses depois voltei a livraria com a minha mãe. Fomos muito bem recebidas. Tremi novamente, mas dessa vez um pouco menos. Assim que subi e falei “Seu Briquet”. Ele me reconheceu, me chamou pelo nome: “Oi Bárbara”. Aí sim eu voltei a tremer muito e meu coração disparou. “Oi Seu Briquet. Eu não disse que iria comprar o livro do Fê?” Apresentei a minha mãe, que já foi falando que eu sou muito fã, louca pelo Capital. Eu calada só olhando. Aí, sem eu perguntar, ele falou que entregou o presente. Disse  que no aniversário do Fê ele foi pra São Paulo e levou o presente. Ele entregou nas mãos do Fê, que deixou o presente em cima de uma mesa e saiu pra jantar ou algo assim. Não sei se o Fê disse alguma coisa. Não tive coragem de perguntar. Mas fiquei feliz em saber que o presente estava nas mãos deles.

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