Um dia para esquecer

Pausa na história do rock brasileiro para falar sobre a data de hoje. Há três anos, o vocalista do Capital Inicial, Dinho Ouro Preto, caiu do palco em um show em Patos de Minas, Minas Gerais. Hoje ele já está recuperado e graças a Deus fazendo shows por todo o país. Eu, como fã do Capital Inicial, não poderia deixar de falar sobre aquele dia.

Hoje é um dia muito ruim para a nação capitaliana, mas poderia ser bem pior. Por isso tive que escrever esse texto enorme. Há três anos quase que eu perdi uma das pessoas mais importantes da minha vida (eu não sou louca, o Dinho é muito importante pra mim e quem ler esse texto talvez entenda um pouco dessa importância). Há três anos eu tive uma sensação parecida com a de 2003, a sensação de que mais uma vez eu iria perder alguém muito especial para mim. Uma sensação bem pior porque o meu medo não era do cara que eu deveria chamar de pai sair da minha casa, mas sim do cara que apareceu na minha vida, quando meu pai saiu de casa, partir dessa pra uma melhor. Em 2003, a sensação de que eu tive é de que minha vida iria acabar sem meu pai. Em 2009, a sensação também era a mesma. Eu consegui continuar sem meu pai, mas sabia que não iria conseguir continuar sem o Dinho porque ele entrou na minha vida no momento mais difícil dizendo que “nem tudo é como você quer, nem tudo pode ser perfeito”, porque ele se tornou mais importante pra mim do que meu pai, porque nesses últimos nove anos, eu vi o Dinho mais vezes do que meu pai, porque nesses últimos nove anos eu falei, durante os shows, mais com o Dinho do que com o meu pai.

Quando eu li a notícia “Dinho Ouro Preto cai do palco”, eu pensei “ah normal, do jeito que o Dinho é hiperativo, ele deve ter só escorregado”. Aí eu percebi que era muito mais grave do que eu pensava e a ficha não caía. Acho que não caiu até hoje, ele podia ter…não consigo nem dizer nem escrever essa palavra. Eu nunca acreditei que ele caiu do palco, eu nunca consegui ver aquele vídeo, eu nunca imaginei como seria minha vida sem ele. Podem dizer que eu sou louca ou o que quiserem, mas o meu sentimento por ele não tem explicação.

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O Dinho entrou na minha vida e nunca mais saiu. O Dinho nunca me decepcionou, sempre me ensina coisas novas, me mostra que viver, mesmo com problemas, ainda vale a pena. Ele foi a única pessoa que, mesmo de tão longe, me ajudou a superar o divórcio dos meus pais. E se há três anos, ele não tivesse sobrevivido, eu não sei se teria outra pessoa pra me ajudar a superar isso. Eu nem sei se eu estaria viva porque eu sou muito mais do que apenas fã dele, porque é como se ele fosse o pai que eu não tive nesses últimos nove anos, porque eu precisava de uma figura paterna, alguém que servisse de exemplo e eu achava que meu pai era assim. Afinal eu era a princesa dele, que perdeu o reinado e até hoje jogam isso na minha cara porque como eu era a princesa ninguém nunca entendeu o quanto meu pai fazia falta e o quanto foi difícil tudo aquilo. Se hoje eu ainda estou aqui e não sinto falta daquele cara que deveria chamar de pai, eu devo tudo isso ao Dinho e ele nem sabe disso. E o dia em que eu conhecer ele, eu nem sei qual vai ser a minha reação, eu não sei se vou conseguir resumir tudo isso em “eu te amo”. Eu poderia escrever muitos textos, várias páginas pra dizer o quanto você é importante pra mim, mas e melhor parar porque já estou chorando demais. “Sozinha eu não ia conseguir, você mostrou o caminho, por onde dava pra ir, me ajudou a levantar depois de eu cair”.

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